Hoje venho contar uma história. A história começa com o despertador a tocar às 8 da manhã e comigo, como é habitual, a meter mais 20 minutos no meu tempo de sono. 8h20 já não podia tardar mais. Tinha que me levantar e me preparar para o meu exame de código. Faltava-me ainda a coragem para levantar, o banho, vestir-me, fazer mais dois exames de revisão e ir tomar o pequeno-almoço ao café da minha mãe. Tinha que estar na escola de condução apenas às 10 horas, mas a ansiedade era muita e pretendia chegar com mais antecedência. A parte do banho foi à pressa, só o suficiente para ficar limpo e relaxar um bocado. Ainda estava com a toalha quando me sentei no computador a fazer os dois exames. Num passei com 3 erradas e no outro com 2. A confiança levou um boost bacano.
Depois disto foi preparar os documentos, vestir e ir ter com a Dona Helena que não é a melhor companhia para se acalmar os nervos. Caga-se no assunto, hoje a minha mente estava demasiado focada em passar o raio do exame, o resto eram preocupações mínimas. Comi a minha sandes mista e bebi o meu leite com chocolate (rappers com 18 anos não vivem só de álcool e batatas fritas) e lá segui eu para a escola. O griff nem estava muito em dia, nada vistoso, só as baggy jeans com o casaco. O mais importante era o mp3 com os phones nos ouvidos para me desligar do meu redor. Andei assim 10 ou 20 minutos até que cheguei à escola. Ainda tive tempo de dar um giro pelo Babilónia e às 9h50 lá estava eu. Todos os alunos evacuaram da escola às 10h15 mas, para mal dos meus pecados, o instrutor que me ia levar até ao IMTT de Chelas (o meu instrutor de condução) estava atrasado. No biggie. Saímos nem sei bem que horas eram e chegámos por volta das 11h. Não conhecia ninguém das pessoas que lá estavam. Estava completamente sozinho. Existia uma sala de espera onde tínhamos que dar entrada 10 minutos antes da prova para aguardarmos a chamada. A minha era às 11h30 e lá estava eu às 11h20. Comecei a ver alunos a sair, uns com um sorriso a cumprimentar a família, outros mais tristes. Uma rapariga chamou-me a atenção : ela encontrou uma amiga na sala de espera e no meio de conversa fiada perguntou se ela ia fazer exame. Ela respondeu que sim, ao que a outra responde "eu saí agora e olha ... desisto". Yeah, nuvens negras começaram a pairar na porra da minha cabeça.
Lá saiu um cota do IMTT com um ar meio carrancudo e começou a fazer a chamada. Chamou uns 7 ou 8 nomes e mandou-os entrar. Comecei-me a perguntar se isto seria aos grupos de 8, é que assim dava para nos dividirmos em 3 grupos e eu nunca mais me despachava. Eu, acima de tudo, queria era entrar lá e despachar o raio da prova. Os nervos começavam-me a consumir um bocado dos miolos. Entretanto lá veio outro senhor mais simpático que nos explicou amavelmente como iria decorrer o processo e lá nos chamou. Fui chamado em 10º lugar e, como tal, o meu destino seria o computador número 10. Eu lembro-me de pensar que o número 10 é o do Messi e que talvez o exame me corresse tipo Leo Messi (desculpem o byte, Power Boyz). O senhor explicou-nos como se ia processar a coisa e o exame surge à minha frente. Chegou a hora. Pergunto número 1 ... não sabia a resposta ! Fiquei nervoso, gastei uns 2 ou 3 minutos só a pensar nela até que ganhei coragem e respondi. O ecrã daquilo é touch e com o meu dedo não estava a conseguir mudar de pergunta. Tudo estava a correr mal e os nervos quase que me engoliam.
Eis que uma revolução se deu : eu pensei que ainda sou grandinho para ser engolido e que, portanto, eles (os nervos) teriam que me mastigar. O problema é que para me trincarem tinham que partir os dentes. Naaaaa, o meu nome é Drama mas não dramatizei. Peguei no Bilhete de Identidade e fiz estilo cartão da escola. As perguntas já mudavam, já me apareceram coisas que eu sabia, confidence back up. Pelo meio tive altos e baixos e no final achei mesmo que estava chumbado. Tinha cinco respostas que eu não sabia e que fui por lógica. Considerei que as cinco estariam erradas. Tive a tentação de mudar mas veio-me à memória o conselho do meu irmão mais velho que me disse que desse o mambo por onde desse eu não devia alterar nada. Não o fiz. O exame chegou ao fim, o computador encerrou e o senhor disse que as folhas iam começar a imprimir. Enquanto o homem carimbava e assinava as folhas eu só pensava "já chumbei, tou fodido, foda-se. Ainda por cima com cinco, que vergonha !". Depois pensei que eu considerava aquelas erradas e que ainda havia um pouco de esperança de pelo menos duas delas estarem certas e eu passar. A esperança desapareceu rápido, estava confiante no chumbo. O senhor começou a chamar as pessoas. Vai o primeiro e "Parabéns e boa sorte". Mesma história com o segundo e com o terceiro. O quarto (uma rapariga) recebeu um "isto não correu lá muito bem, foi uma a mais ...". Consegui ver o seu ar desolado. As pessoas iam avançando e muitos começaram a passar. A rapariga que foi antes de mim chumbou com 4 respostas erradas. Levantei-me. Ouvi chamar "Ruben Filipe Gonçalves Fernandes". A caminhada do meu computador até à mesa eram uns cinco metros mas pareceram cinco quilómetros. Estendi a mão e eis que ouço "Parabéns e boa sorte".
Não estava a acreditar, fiquei com a cabeça puta. Abri o papel e vi "APROVADO COM 2 RESPOSTAS ERRADAS". Foi instintivo (e estúpido) mas dei um toque de dança no meio da sala. Ouvi alguns risos e tudo, mas que se foda a taça. Todos os que foram da minha escola passaram. Liguei a familiares e amigos, mandei mensagens, fui felicitado de caralho e fiquei com o ego inflamado. No problem, o meu maior medo, o código, estava feito.
Best fuckin feeling ever.
Peace pa todos que eu vou descansar, custa-me ser tão karga. Boas entradas.
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