quarta-feira, 16 de maio de 2012
A questão da Reboleira
Ontem à noite estava eu na rua com os meus amigos, tranquilo como sempre, quando um deles diz algo que eu já algum tempo temia ouvir : aquelas medidas do Governo para reduzir nas freguesias iam afectar a "minha" Reboleira que irá agora desaparecer do mapa e ser agregada à Venteira. Fiquei revoltado e ao mesmo tempo incrédulo e então decidi investigar. Como não achei que o Google me fosse ajudar muito nesta questão resolvi recorrer à minha mãe. Ela informou-me logo de tudo : andavam a espalhar papéis pelos cafés da zona para atingir pelo menos as 3 mil assinaturas. Se esse número fosse atingido essa medida seria abortada. Fiquei com esperança, obviamente, mas a minha mãe matou-a logo a seguir quando me disse que o Presidente já disse que era escusado porque a medida ia mesmo avançar.
Isso 'tá a dar comigo em doido ... muita gente pode não perceber o porquê, já que nada do que aqui vivi vai ser apagado, só o sítio é que vai mudar de nome. Mas não é só isso. É uma questão de identidade. Eu não cresci na Venteira nem sou da Venteira. Cresci na Reboleira e sou da Reboleira. Moro cá há já 18 anos e tenho 1001 histórias para contar, todas passadas aqui. Sempre estudei aqui, enquanto muitos se mudaram para Lisboa eu fiquei. Agora, este sítio que eu tanto adorei e adoro vai simplesmente ser apagado do mapa como se nunca tivesse existido e como se não importasse, tudo sobre o pretexto de poupar algumas despesas ao nosso Estado que, apesar deste apertar de cinto, continua a renovar anualmente a sua frota de Mercedes. Poupadinhos !
Revolta-me só a ideia de um dia mais tarde os meus netos não saberem sequer que este sítio alguma vez existiu. Os meus netos e até provavelmente os meus filhos. O sítio onde o pai/avô deles cresceu para eles vai ser a Venteira, uma freguesia da Amadora. É injusto ...
Dê por onde der, aconteça o que acontecer, eu vou ser SEMPRE da Reboleira, nunca de nenhum outro sítio. Posso até mudar de casa, mas o meu berço vai ser sempre o mesmo. Fora do mapa, mas sempre no coração de quem cá viveu e vive e que de certeza que sente a mesma revolta que eu.
Eu sou da Reboleira, sempre.
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