segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Séculos e mentalidades

Estamos em pleno século XXI, era de avanços tecnológicos, avanços científicos, avanços em quase tudo. Digo quase tudo mas eu achava que se tinha avançado em tudo. Afinal não. Vim hoje a confirmar que o mais importante de tudo continuo retrógrado como um carro puxado a bois. Falo da mentalidade das pessoas. Aliás, vou corrigir, falo da mentalidade dos jovens.

Os mais velhos eu não posso recriminá-los por pensamentos mais antiquados pois muitos deles cresceram numa época em que pensar assim era o adequado e têm certos preconceitos demasiado enraizados para poderem ser mudados. Agora a minha geração ? Fico em completo choque !

O motivo maior do meu choque até é a simples contradição da mentalidade de hoje em dia. Passo a explicar : uma pessoa com um penteado completamente excêntrico, tatuagens, piercings, alargadores e por aí fora é muitas vezes classificada de estranha pelas gerações mais antigas. É aí que os nossos jovens (e muito bem) entram e dizem que eles são pessoas como todos os outros, têm é um estilo alternativo e gostam de ser assim. Quando alguém lhes diz que tantos piercings e buracos de brincos tão grandes ficam feios os nossos jovens mais uma vez (e de novo muito bem) voltam a defender a igualdade e a liberdade e a dizem que é uma questão de gosto pessoa e que aquela pessoa não devia ser marginalizada pela sua maneira de vestir. Não pensem que não concordo com isto, acho isto até muito bem porque defendo que cada um tem o direito de ter o estilo de roupa e estilo de vida que bem entender. A contradição, depois, entra aqui : se os nossos jovens (e não falo dos "cotas", os jovens mesmo), virem um chunga .... Jesus, o caso muda de figura. É porque andar de fato-de-treino de clubes é ridículo, é porque andar cheio de piercings e anéis é ridículo ... até na música. Um desses senhores mais "alternativos" que ouça um metal mais pesado em que os cantores façam muito uso do scream (e perdoem-me se estou a dizer uma baboseira mas não estou muito dentro do assunto), todos dizem que é música e é o gosto dele. Se o tal "chunguita mitra" ouve kizomba já é o cúmulo do ridículo. Nem a linguagem se escapa ! Um chunga que fale criolo com os amigos é um wannabe, é um bollycao, é uma série de coisas. Mas ninguém vê o menor problema em certas pessoas misturarem português com inglês na mesma frase só para darem numa de cultos ou entendidos (confesso que este é um vício meu e eu falo inglês a toda a hora feito burro). Onde está a igualdade aqui ? Ou só funciona para alguns ?

Tudo isto me surgiu a propósito de uma situação que se passou comigo hoje em que alguém, não sei se é homem ou mulher porque não quis dar a cara, me insultou (ou tentou insultar) numa rede social dizendo que eu tenho a mania que sou giro/fofo/bué mau/seja lá o que for que a pessoa em questão queria fazer entender só porque tiro fotos em que, e passo a citar, " tenho buéd macacos comigo". Depois de ler a primeira vez confesso que quando li a palavra macaco entrei em pânico porque achava que tinha alguma foto no Facebook em que se notava que eu estava com macacos no nariz. Lá se ia a minha reputação, bolas. Mas depois de ler bem a ofensa e de interpretá-la cheguei à conclusão que eu estava a ser criticado por tirar muitas fotos para as redes sociais com negros. Ora bem, que eu tenho uma série de fotos acompanhado por negros no Facebook eu tenho. You got me there homie. Mas os negros em questão são o meu grupo de amigos. Porque eu ao contrário de uma mente tão evoluída como a da pessoa que me "insultou" não julgo as pessoas pela cor da pele nem escolho os meus amigos com base na sua etnia, estrato social nem nada do género. Não sou como muitos que se calhar se dão com A ou B porque têm fama, depois dão-se com C e D porque têm mais alguma coisa que eles queiram. Nada disso. Eu sou amigo destes bacanos há anos e vou continuar a ser, venha o que vier. Independentemente da diferença na raça temos uma amizade melhor do que muitos amiguinhos com o tom de pele exactamente igual.

Estamos no século XXI, deixem para trás preconceitos burros e acima de tudo preocupem-se mais com a vossa vida e deixem a vida dos outros. Ou então obriguem-me a tirar fotos com chineses só para me mandarem a boca de que eu acho que já sei fazer kung-fu.

Um longo texto e escrito com palavras bué caras (menos este bué mas puta que pariu) só para deixar a mensagem de que o preconceito é uma coisa feia seja ele de que tipo for.


Peace

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